<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4466596223477716365</id><updated>2012-01-13T11:28:14.043Z</updated><title type='text'>Viriato de Barros</title><subtitle type='html'>Este blog tem por objectivo primordial divulgar trabalhos e trocar ideias e experiências, não tem outra pretensão senão a de conviver com quem tenha afinidades através deste extraordinário meio que quase nos damos ao luxo de tomar como coisa trivial, mas que está tão longe de o ser, se atentarmos em tudo o que implica termos chegado até aqui.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://viriato-barros.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viriato-barros.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Viriato de Barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04281660613848907258</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBirLWDa2tI/AAAAAAAAAFE/yzm52GyFac8/S220/Viriato_em_Tarrafal.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>17</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4466596223477716365.post-9220757870988842467</id><published>2010-12-16T09:24:00.004Z</published><updated>2011-03-09T14:29:05.285Z</updated><title type='text'>O Holograma Único de Rose Nery Sttau Monteiro</title><content type='html'>O Holograma Único&lt;br /&gt;de Rose Nery Sttau Monteiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A leitura de “Holograma Único” não é leitura fácil. Obriga-nos a uma tomada de consciência da realidade para além do imediato, do aparentemente real, da superfície. A cada passo torna-se evidente a cultura temporal da autora, que passa pelos pensadores da época da cultura a que chamamos ocidental, greco-judaico-latina. Na sua perspectiva da realidade é actual, incrivelmente actual. Ninguém inventa nada no pensamento humano. Se virmos bem, é como se não houvesse nada de novo sobre a face da terra, mas neste sentido a acomodação sucessiva às novas formas de prisão de consciência, desde o poder clerical medieval e seus prolongamentos, aos tempos modernos das prisões político-ideológicas.&lt;br /&gt;Interessante, na falta de outro termo que melhor a defina, esta coligação, que alguns desses bem castigados no seu livro chamariam promiscuidade, entre o intelectualizante e o terra a terra, como dizer “a escalada até aqui não é pêra doce”, e depois “senhor que ganhasse juízo”. É como se a autora nos agarrasse sempre à realidade, essa que vivemos dia a dia e que oculta outra que tentamos entender, mas nunca entendemos. Vamos então aos livros sagrados em busca do conhecimento.&lt;br /&gt;A memória histórica é curta. Essa que vem desde os Gregos. Mas esses já tinham outra, que não conhecemos. Fico por aqui. Não consigo ir mais longe. Rose Nery consegue-o, e vai muito mais longe.&lt;br /&gt;Tentemos acompanhar o que ela nos conta:&lt;div&gt;&lt;br /&gt;"Bem que uma vez um latinista, lá do estabelecimento de ensino - o advérbio “lá” aqui não é inocente - onde fiz o liceu, explicou que o cérebro nunca se cansa, pelo que se pode constatar, também nem se deixa congelar. Naquela convicção obrigava os educandos a estudarem durante o dia inteiro, aliviando-se de estoirados apenas às quatro horas, e por escassos minutos, uma violência! Há outras tarefas em que um jovem se pode ocupar amealhando saberes, as crianças principalmente, sem lhes castigar de obrigação o feitio do corpo e a inteligência. Todavia, ninguém socorre as escolioses dos infantes a caminho da escola, vítimas das albardas de livros, suspensos dos ombros, anos a fio e logo pela madrugada, cangas debaixo de intempéries.&lt;br /&gt;Quem viveu em Cabo Verde – não, não basta simplesmente ter vivido em Cabo Verde, é preciso ser-se cabo-verdiano, não importa de onde tenha vindo – entenderá tão bem estas histórias dentro da história de Rose Nery:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;“Séculos passados, eu não preciso de abrir nada, e de cor recito com todas as pausas de exigência “Os Pobrezinhos” do livro da Primeira Classe? “Minha mãe, é uma pobrezinha que veio bater à porta”. A mãe veio logo com um prato de sopa e deu ao mendigo”... E por aí adiante até ao final”&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Não há aqui sentimentalismo lamecha, ocioso. Há uma realidade vivida, bem localizada entre as pessoas e lugares.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;“Também sabia a “Visitai os enfermos” , na página dezoito, faz de conta, pois já não me lembro da paginação dos livros do Estado Novo, e como o prejuízo do fluir deste episódio, não o largo para , à pressa, uma investigação numa biblioteca lá para Benfica, onde manuseei uma daquelas &lt;i&gt;avis rara&lt;/i&gt;.”&lt;br /&gt;Em Rose Nery a cultura greco-latina-judaico-cristã-ocidental não desenraizou a menina oriunda das ribeiras de São Antão.&lt;br /&gt;Essa é a menina que eu vejo sempre, aquela menina muito loirinha, sorridente, de olhos muito vivos, que conheci no meio de outros meninos e meninas de todas as cores em Cabo Verde.&lt;br /&gt;Essa a Rose Nery que conheço e continuo sempre a ver. A Rose Nery que um dia escreveu um livro em que conta coisas como:&lt;br /&gt;“...No lusco-fusco, os meninos, acocorados, apertavam-se uns contra os outros, chegada a hora dos contos de meter medo e de se arrepiar ao limite do pavor, tanto melhor. Também este importados, pois quando os navegadores no tempo antigo da monarquia portuguesa, acharam aquelas ilhas, não encontraram nelas nenhuma população autóctone para dizer nada da sua vida, e muito menos dar conta do seus medos A bem dizer, para ali, tudo de importação, sendo que o animal feroz, a centopeia, e vá-se lá a afirmar, que tamanhas bichas não tenham desembarcado do porão de algum navio, que por aquelas montanhas fabulosas de dimensão, não havia clima nem regojo para um animal próprio da humidade dos esgotos. Durante séculos, escoador inexistente por lá! Se fora de casa, meninos e graúdos se aliviavam da cachupa do meio-dia nos campos, uma pedra lisa, bem assoprada, servia para limpeza.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah Cabo Verde, como tu, só tu!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4466596223477716365-9220757870988842467?l=viriato-barros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viriato-barros.blogspot.com/feeds/9220757870988842467/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4466596223477716365&amp;postID=9220757870988842467' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/9220757870988842467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/9220757870988842467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viriato-barros.blogspot.com/2010/12/o-holograma-unico-de-rose-nery-sttau.html' title='O Holograma Único de Rose Nery Sttau Monteiro'/><author><name>Viriato de Barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04281660613848907258</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBirLWDa2tI/AAAAAAAAAFE/yzm52GyFac8/S220/Viriato_em_Tarrafal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4466596223477716365.post-9157579892389090174</id><published>2010-02-12T19:39:00.006Z</published><updated>2010-05-06T21:37:04.189+01:00</updated><title type='text'>Percursos-2</title><content type='html'>Karl Marx é muitas vezes citado como tendo definido a religião como uma espécie de ópio que se dá ao povo para o enganar. Povo que ninguém foi ainda capaz de dizer quem. Se sou eu e tu, se somos todos, se são coitados, esfarrapados, desgraçados, vítimas de uma sociedade organizada para proteger os mais espertos, que arranjaram uma situação de vantagem à custa dos outros a quem não foi dada essa vantagem, ou então que não foram suficientemente espertos, ou que não estiveram suficientemente alertas para não se deixar explorar, ou, simplesmente, porque não tiveram outra alternativa ou meios de defesa. Como poderiam, se os outros sabiam mais? Como poderiam se os outros já tinham mais? Se nem sequer a natureza distribuiu igualmente a esperteza. Aqui começo a confundir natureza e Deus. Ou a juntá-los como a mesma realidade. Tenho a capacidade de pensar que leva a perceber que há algo que se chama realidade. Mas também a capacidade de pensar que aquilo que penso ser realidade não é a mesma coisa para todos. Será que cada um tem a sua realidade?&lt;br /&gt;Tantas vezes tenho discutido aquilo que penso ser a realidade para no fim verificar que essa não é, para os meus interlocutores, a realidade. Esse limiar que separa o que para uma pessoa considerada lúcida daquilo que um alucinado toma por realidade. Onde termina a realidade do são e começa a do alucinado? O que é a lucidez? Como determinar e quem determina. os limites da lucidez, ou os padrões de aferição da lucidez. Será, por exemplo, o misticismo religioso um estado superior de lucidez ou um estado mental provocado pelo efeito físico, neurológico, psíquico, de componentes químicos do organismo do homem que influem no seu comportamento ou o determinam, ou serão, inversamente, essas reacções desencadeadas pelos processos mentais e que explicariam, por exemplo, o fenómeno de estigmatização nos místicos? Como se ascende do físico ao espiritual e ao místico? Haverá uma inteligência biológica, na falta de outro termo, que se reflecte no que se chama instinto, intuição, capacidade que se desenvolve mais nuns do que noutros, em função das necessidades de adaptação aos meios em que cada ser humano habita e se desenvolve?&lt;br /&gt;Pertencemos a uma civilização em que os dados de conhecimento a partir dos quais formulamos juízos sobre os outros não englobados por este conceito de civilização, nos são fornecidos pelas pesquisas, análises e conclusões da Antropologia, Sociologia, Psicologia, Filosofia, as principais disciplinas do estudo e conhecimento do homem e do universo, matéria em que pouco temos avançado desde a Antiguidade, desde Platão, Sócrates, Aristóteles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4466596223477716365-9157579892389090174?l=viriato-barros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viriato-barros.blogspot.com/feeds/9157579892389090174/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4466596223477716365&amp;postID=9157579892389090174' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/9157579892389090174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/9157579892389090174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viriato-barros.blogspot.com/2010/02/percursos-2.html' title='Percursos-2'/><author><name>Viriato de Barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04281660613848907258</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBirLWDa2tI/AAAAAAAAAFE/yzm52GyFac8/S220/Viriato_em_Tarrafal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4466596223477716365.post-4023908962567875761</id><published>2009-08-04T18:24:00.002+01:00</published><updated>2009-08-04T18:37:13.948+01:00</updated><title type='text'>Coisas de Cabo Verde</title><content type='html'>Coisas de Cabo Verde - 1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há coisas em Cabo Verde, que nós aceitamos como factos muito naturais numa determinada altura da nossa vida em Cabo Verde, mas que depois, uma análise retrospectiva leva-nos a tirar deles algumas ilações, sobretudo quando nos confrontamos com outras sociedades.&lt;br /&gt;Por exemplo, lembro-me, quando vivia na ilha do Fogo, ainda criança, havia lá um cidadão de S.Filipe cujo nome de registo nunca cheguei a saber, que era conhecido e referido por todos pelo nome de Prétu, assim pronunciado, ou seja Preto em português. Prétu terá acabado por assumir naturalmente ou a contragosto, essa espécie de segundo nome, a maior parte das pessoas em Cabo Verde têm e que nos habituamos a chamar “nominho”. Possivelmente uma noção instintiva de estratégia defensiva para quem não quer segregar-se da comunidade em que vive é simplesmente assumir o segundo nome , que por vezes começou por ser uma alcunha como a qual se acaba por viver em paz. caso contrário o risco é cair num vórtice de acções e reacções que, se não conduz à loucura, leva a diversas formas de auto-isolamento ou alienação. Só que quando um indivíduo passa a ser identificado na comunidade em que vive pelo nome de Prétu, não se trata aqui de um epíteto racista, mas simplesmente de identificação pessoal. Passa a ser o seu nome popular, que acaba por sobrepor-se ao nome de registo ou de baptismo, a tal ponto que, se alguém lhe endereçar uma carta com o nome de registo, possivelmente ninguém saberá quem é o destinatário.&lt;br /&gt;A observação dessas situação levam-nos a concluir que em Cabo Verde, por razões diversas da sua história, se criou a partir dos africanos e europeus que se fixaram nas ilhas, uma sociedade com características muito próprias que vale a pena analisar com maior cuidado e profundidade, pois talvez nos dê pistas para solução de problemas de exclusão, integração e inserção social de minorias étnicas em sociedades de acolhimento de imigrantes de diferentes origens e culturas que os diferenciam dos autóctones das sociedades. para onde emigram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4466596223477716365-4023908962567875761?l=viriato-barros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viriato-barros.blogspot.com/feeds/4023908962567875761/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4466596223477716365&amp;postID=4023908962567875761' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/4023908962567875761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/4023908962567875761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viriato-barros.blogspot.com/2009/08/coisas-de-cabo-verde.html' title='Coisas de Cabo Verde'/><author><name>Viriato de Barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04281660613848907258</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBirLWDa2tI/AAAAAAAAAFE/yzm52GyFac8/S220/Viriato_em_Tarrafal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4466596223477716365.post-3496706093549453418</id><published>2009-01-21T14:23:00.003Z</published><updated>2009-01-22T16:12:25.851Z</updated><title type='text'>O Efeito Obama</title><content type='html'>Algumas considerações sobre a eleição de Barack Obama&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cabo-verdianos, pelo que pude observar, acompanharam a candidatura de Obama com particular interesse, diria mesmo com crescente ansiedade, à medida que ia decorrendo o processo eleitoral americano para a escolha do novo Presidente dos Estados Unidos, processo que esteve no centro das atenções de todo o mundo.&lt;br /&gt;A importância dos Estados Unidos, as implicações do que possa acontecer naquele pais, cuja população se constituiu com imigrantes do mundo inteiro e o seu peso na economia mundial que foi assumindo proporções cada vez mais globalizantes, explicam e justificam essa atenção&lt;br /&gt;A interdependência económica e política entre os diferentes Estados, quer se queira quer não, é, com efeito, uma realidade do nosso dia-a-dia. Não é portanto por mera curiosidade estimulada pela acção dos meios de comunicação de massas que estamos tão atentos a estas eleições e ao seu desfecho com que, creio eu, e falando como cabo-verdiano, nos regozijamos.&lt;br /&gt;Ao longo de todo este processo não pude deixar de fazer uma reflexão retrospectiva sobre as minhas posições pessoais e as de muitos da minha geração que acompanhamos tão intensamente as notícias que até nós chegavam da descriminação racial nos Estados Unidos a que estavam sujeitos os cidadãos americanos oriundos de África, para lá levados num monstruoso acto de violência para trabalharem como escravos dos donos brancos das plantações do Sul dos Estados Unidos. Como meras mercadorias.&lt;br /&gt;A abolição formal da escravatura não alterou na sua essência a situação daqueles africanos ou dos seus filhos e netos agora cidadãos americanos, se é que se podia chamar cidadãos os homens, mulheres e crianças excluídos da sociedade por causa da sua da sua origem étnica ou, se preferirem, pela sua raça, ironicamente estigmatizados justamente por terem sido escravos e nessa condição trabalhado à força para os donos das grandes plantações de algodão e outros produtos de que se alimentava a indústria americana e as classes socialmente promovidas pelo desenvolvimento industrial atingido graças a esse trabalho.&lt;br /&gt;Esses africanos, chamados negros pelos outros, designação tantas vezes acompanhada de epítetos pejorativos, se não obscenos, passam a constituir a camada mais baixa dessa sociedade multiétnica, condições que se prolongam sob diversas forma até aos tempos relativamente recentes. Tão recentes numa perspectiva histórica como os tempos de um Elvis Presley, um homem do Sul dos Estados Unidos e em cujas canções mais célebres ressoavam os ritmos africanos americanos dos “blues”e outras variantes de ritmos africanos trazidos para América pelos escravos. Cito Elvis Presley ao talhe da foice, porque, quando uma jornalista uma vez lhe perguntou o que ele achava sobre a questão dos Negros na América, respondeu simplesmente, e passo a citar:&lt;br /&gt;“I have no use for Negroes, except for shining my shoes”&lt;br /&gt;A consciência dessa realidade levou-me nesse tempo a afirmar a uma conterrânea nossa imigrante nos Estados Unidos que se encontrava de férias em Lisboa, a propósito da nossa emigração naquele pais que pessoalmente não estava interessado em lá viver, mesmo que me dessem essa oportunidade. Perante a minha atitude, perguntou-me qual era a razão dessa minha recusa. Respondi-lhe que, apesar do meu desejo de seguir o destino dos meus conterrâneos e parentes que se tinham fixado nos Estados Unidos, sobretudo na região da Nova Inglaterra, eu não o faria. Não gostava do sistema de vida americano e que por essa razão não via a hipótese de eu para lá emigrar. “Mas por quê ?”, tinha-me ela perguntado. A essa pergunta respondi simplesmente “porque havia lá muito racismo.&lt;br /&gt;A minha interlocutora era professora universitária na região de Nova Inglaterra. Tinha emigrado de Cabo Verde criança com a família. A essa minha reserva reagiu dizendo-me “Nós temos o melhor sistema do mundo. É verdade o que diz sobre o racismo na América, mas nós estamos a lutar para mudar essa situação.”&lt;br /&gt;Nesse mesmo período, tinha começado a tomar forma na América um movimento generalizado de afirmação de identidade dos afro- americanos e de luta pelos seus direitos. Foi nessa altura que surgiu o movimento liderado por Luther King, nos moldes da resistência pacífica conduzida na Índia por Mahatma Ghandi, mas também dos que defendia responder à injustiça e abusos de que eram alvos pela via da acção violenta, pagando violência com violência, opondo uma força a outra força. É nessa forma de luta que surgem os Black Panthers e o tipo de acção liderado por Malcom X e outros.&lt;br /&gt;Paralelamente foi tomando corpo o movimento designado por “Affirmative Act”, consubstanciado numa autêntica revolução de conceitos, atitudes e comportamento, protagonizado por figuras hoje esquecidas com Ângela Davis e outras. Os africanos americanos decidiram de uma vez por todas deixar de ser objecto da evolução da sociedade americana para serem sujeitos dessa evolução.&lt;br /&gt;O assassinato de Luther King numa vã tentativa de travar a luta dos que passaram a chamar-se African Americans, desencadeou uma reacção violenta generalizada dos Africanos que culminou nos tumultos raciais que sacudiram os grande centros urbanos, designadamente Washington, obrigando os poderes constituídos a rever toda a situação e ajustar-se a ela. Não vou entrar nos pormenores da história desta luta. Quero apenas aqui confrontá-la com o presente e constatar o caminho percorrido desde desse período até aos nossos dias, e, ao fazê-lo não posso deixar de lembrar as palavras daquela minha conterrânea, com quem vim reencontrar-me na cidade da Praia no primeiro ano da Independência de Cabo Verde, fazendo parte de um grupo de imigrantes cabo-verdianos nos Estados Unidos que foram para Cabo Verde dar a sua contribuição na construção de um país independente, país da sua origem.&lt;br /&gt;A posição que os descendentes africanos ocupam hoje nos Estados Unidos está longe de ser a mesma que era nesses anos a que me referi, mas o que até aqui se tem conseguido foi-o à custa de muita luta e do sacrifício de muitos, dos quais muitos com o da própria vida. Não foi pois por mera casualidade ou simples simpatia pessoal que foi possível ver hoje um candidato de origem africana, um negro como nessa sociedade ele é classificado, à presidência dos Estados Unidos, e um candidato vitorioso, reconhecido pela grande maioria dos cidadãos americanos. Algo mudou nessa sociedade. Algumas décadas atrás seria impensável. Algo que deixou, e não só nos Estados Unidos, uma esperança nova, sobretudo quando pensamos que há efectivamente uma crise internacional. Uma crise financeira, económica e política, a que corresponde um cepticismo generalizado em relação aos políticos em geral e aos dirigentes políticos e particular. Todos têm consciência do desfio que o próximo presidente dos Estados Unidos irá enfrentar. E tratando-se de um Africano Americano maior ainda é o peso dessa responsabilidade, pois não faltarão detractores à espreita do mínimo erros que cometa ou passo em falso ou que lhes pareça que tenha dado.&lt;br /&gt;A verdade é que por toda a América há efectivamente uma nova esperança e uma vontade de alinhar num esforço colectivo para debelar a crise existente.&lt;br /&gt;Segundo li nunca, por exemplo os Cabo Verdianos na América acorreram em número tão grande às urnas como agora. O que é um sinal positivo da sua cidadania. Durante muito tempo a comunidade cabo-verdiana manteve-se afastada da luta dos africanos americanos, não se identificando abertamente com ela, apesar da consciência da sua origem africana e dos efeitos que directa ou indirectamente as estagnações ocorridas ou os avanços conseguidos por esse grupo étnico se reflectiriam na sua própria comunidade.&lt;br /&gt;O afastamento da comunidade cabo-verdiana do conflito inter-racial que envolvia os negros e os brancos americanos era motivado por um lado por razões de ordem cultural que levavam os cabo-verdianos a situarem-se num espaço próprio, distante de uns e outros, por outro lado por instinto de auto-protecção que os afastava dos referidos conflitos.&lt;br /&gt;Não se identificando com os afrio-americanos, nem com os outros americanos tão pouco, refugiavam-se na sua própria comunidade, preservando a sua identidade cabo-verdiana. Essa forma de estar levou a que muitos se referissem a eles com “ some funny Puerto-ricans” situação tão bem caracterizada no livro com esse título uma escritora cabo-verdiano-americana. .&lt;br /&gt;Daí o diálogo ficcionado por mim no romance “Identidade”etre um cabo-verdiano de terceira geração que perante os seus protestos de identificação como afro-americana ou simplesmente “black” junto de um outro membro da comunidade africana americana correntemente assim designada, foi confrontado com a observação da parte do outro: “ You say you are black, but you don’t act black”&lt;br /&gt;“To act black” implicava certos maneirismos e uma maneira de se expressar na língua inglesa que esse cabo-verdiano, apesar de ter nascido na América não tinha, criado, como tinha sido, nos hábitos e costumes da comunidade cabo-verdiana e portador da cultura subjacente a esses hábitos e costumes.&lt;br /&gt;Claro que o isolamento cultural tende a geral atitudes racistas da parte de quem se isola, e facilmente se introduzem numa comunidade vícios da sociedade envolvente e dominante, no caso presente caracterizado por comportamentos racistas, em que entre os alvos eleitos parecem ser os cidadãos de origem africana. Como diríamos na nossa língua: “Forti sina!”.&lt;br /&gt;Para quem sai de uma terra como Cabo Verde e tenta por força das circunstâncias, integrar-se nesse tipo de sociedade, a situação é complexa e inevitavelmente alienante. Em Cabo Verde não tinha esses problemas. Teria certamente outros problemas, mas não esses. De repente vê-se confrontado com eles.&lt;br /&gt;È preciso ter passado por situações dessas para se ter a dimensão real dos traumatismos por eles e neles gerados, mas também da estratégia desenvolvida para nelas sobreviver preservando a sua dignidade humana e a sua própria identidade. Há como que um inconsciente colectivo que impulsiona as nossas reacções e acções, ou inibição das mesmas delas. É precisamente a esse nível que se situa também a conscientização de massas que poderá levar a uma mudança de atitude. em que deixamos de ser objectos para sermos os sujeitos ou motores dela. Creio que é essa mudança que determina toda a luta de libertação, seja qual for a forma que assuma. E é precisamente nesse enquadramento que situamos as lutas de libertação, que conduziram à independência dos povos sob a dominação colonial. Curiosa coincidência esta que de uma certa forma celebramos a eleição de Barak Obama, com a data do assassinato de um dos maiores lideres da luta dos Africanos pela defesa da sua dignidade e independência que foi Amílcar Cabral, cuja memória aqui hoje honramos.&lt;br /&gt;Já que me propus falar sobre o significado da eleição de Barak Obama para Presidente dos Estados Unidos, quero crer que a esperança nova criada por essa aura que envolve o próximo residente da Casa Branca se situa precisamente na consciência dessa mudança e de que o que até aqui foi conseguido, não o foi por obra de acaso, mas sim o resultado de uma longa e árdua luta. Algo mudou na América e noutra parte do mundo também, como essa em que vivemos. Mas nada foi dado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4466596223477716365-3496706093549453418?l=viriato-barros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viriato-barros.blogspot.com/feeds/3496706093549453418/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4466596223477716365&amp;postID=3496706093549453418' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/3496706093549453418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/3496706093549453418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viriato-barros.blogspot.com/2009/01/o-efeito-obama.html' title='O Efeito Obama'/><author><name>Viriato de Barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04281660613848907258</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBirLWDa2tI/AAAAAAAAAFE/yzm52GyFac8/S220/Viriato_em_Tarrafal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4466596223477716365.post-8803140622648843397</id><published>2008-10-28T15:35:00.004Z</published><updated>2009-01-25T15:07:30.659Z</updated><title type='text'>A Beleza de Cabo Verde</title><content type='html'>A beleza das nossas ilhas é feita de contrastes entre rochas soberbas, areais imensos e o azul do mar, que na nossa proximidade toma tons de um verde cuja intimidade nos envolve inevitavelmente.&lt;br /&gt;É feita da imponência das das nossas rochas e das nossas montanhas...&lt;br /&gt;Creio que a beleza das ilhas de Cabo Verde está na imensa variedade de cenários geográficos e humanos que nos vai oferecendo de ilha para ilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já uma vez, numa maré de saudade da terra, dei comigo a escrever, quase compulsivamente, um texto sobre a impressonante entrada da baia do Porto Grande de São Vicente e dos estonteantes areais que envolvem a ilha. Mas se quiserem ver montanhas que são autênticas catedrais de rocha, vão até Santo Antão, e depois percorram as suas ribeiras, essas como a Ribeira do Paúl, de águas cantantes, que sulcam as rochas da ilha.&lt;br /&gt;Visitem a ilha Brava, e percorram os seus caminhos ladeados de cardeais e purgueiras, e as suas avenidas de acácias rubras, mas desçam também até ao fundo das ribeiras verdes de Fajã de Água e dos Ferreiros, Aguada e Tantum, até ao mar, e sintam o encanto dessa ilha, que alguém já comparou a Brigadoon, mítica aldeia da Escócia envolta em brumas, ficcionada numa célebre opereta com esse nome. Ilha Brava, que Eugénio Tavares cantou para a eternidade.&lt;br /&gt;Da Brava viajem até à Ilha do Fogo e sintam a magestade do seu Vulcão, mas também os recantos de verde dos milheirais, das vinhas e feijoais, dos rubros e amarelos das flores de campo que povoam a ilha, e disfrutem o incrível cenário que se avista do topo das montanhas, vejam esse mar largo que a envolve e as silhuetas das outras ilhas irmãs ao longe: a Ilha Brava mesmo ali em frente, Santiago ao lado, São Nicolau ao longe, nos dias claros.&lt;br /&gt;Dai vão até Santiago. Em Santiago, dêem um salto primeiro até à Cidade Velha, antiga Ribeira Grande, que foi outrora a capital da Colónia de Cabo Verde. Mas antes de deixar a Cidade Velha, subam até à Fortaleza e vejam daí o mar à volta. Jorge Barabosa diria :&lt;br /&gt;“O mar, sempre o mar à nossa volta... o desassego do mar...”&lt;br /&gt;Mas o mar visto dali da fortaleza é um mar imenso e calmo. Um mar sem dono, que nos apela a conhecer outras terras, a conhecer o mundo.&lt;br /&gt;Não conheço a Ilha do Maio, ali perto, mas dizem que é outra ilha mágica. Só indo lá , saberemos o que é o Maio. O Maio para mim é como uma reserva de tranquilidade e beleza simples, que gostaria de guardar em segredo, avaramente, para que não vá ninguém estragar o que lá há. Peço-vos pois, não contem a ninguém o que vos disse sobre a ilha.&lt;br /&gt;Acho que deve ser parecida com a Ilha da Boa Vista, mas mais pequena. Ou, se calhar, com o Sal.&lt;br /&gt;O Sal. A Ilha do Sal. Acho que todos os cabo-verdianos que viajam de avião têm uma dívida para com o Sal. E porquê?&lt;br /&gt;Porque passam pelo Sal e não conhecem o Sal como deve ser. Claro que o Sal é um espaço magnífico de turismo.Não há no mundo outra praia como a Praia de Santa Maria. E há hoteis, excelentes hoteis de turismo. Mas vejam bem a Vila de Santa Maria, andem pelas ruas de Espargos, vão até Fiúra ver o mar ali numa expressão rebelde, diferente, irreverente, mas extremamente belo, e as rochas que nos magnetizam numa contemplação em que a noção do tempo se esvai e perde.&lt;br /&gt;Gostaria de vos descrever a beleza da Boa Vista, feita de praias de areia cintilante, de dunas e campos de pastagens. E sítios à beira-mar que falam de sagas marítimas, encalhes e moias, de tesouros no fundo do mar, de naufrágios e de pirataria.&lt;br /&gt;E falo agora de S.Nicolau, em último mas não o menor lugar. Antes pelo contrário: é, só por si, um gosto que daria para escrever um livro, mesmo quando Baltazar Lopes já escreveu o incomparável Chiquinho da nossa permanente admiração.&lt;br /&gt;S.Nicolau é impossivel de se descrever, quando tentamos procurar um lugar por onde começar. Pela Vila da Ribeira Brava, pelo Cachaço, pela Queimadas, pelo Monte Gordo, pelo Tarrafal pelo Cabeçalinho, pelo Curralinho? Se calhar é melhor ir até ao Norte, que não é o Norte dos pontos cardeais, mas de nome só. Ou então pela Ribeira Prata, ou antes pela Fajã, pelo Morreome e Pico Agudo de João Lopes, um dos homens da Claridade, a que ele próprio deu o nome de Egolândia.São Nicolau? Uma civilização, volto a dizê-lo, como em tempos já o tinha escrito.&lt;br /&gt;E Santa Luzia? Desabitada. Será justo chamar-lhe desabitada quando durante tantos anos viveu um homem que ali guardava o gado de um proprietário de S.Nicolau? Pelo menos naquela altura poderia dizer-se que o Ilha de Santa Luzia era habitada por um homem e umas tantas cabeças de gado. Se fosse na America chamar~lhe-iam um “cowboy”. Um cowboy solitário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4466596223477716365-8803140622648843397?l=viriato-barros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viriato-barros.blogspot.com/feeds/8803140622648843397/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4466596223477716365&amp;postID=8803140622648843397' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/8803140622648843397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/8803140622648843397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viriato-barros.blogspot.com/2008/10/beleza-de-cabo-verde.html' title='A Beleza de Cabo Verde'/><author><name>Viriato de Barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04281660613848907258</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBirLWDa2tI/AAAAAAAAAFE/yzm52GyFac8/S220/Viriato_em_Tarrafal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4466596223477716365.post-1798859809637647672</id><published>2008-09-17T11:40:00.003+01:00</published><updated>2012-01-13T11:28:14.051Z</updated><title type='text'>Implante de consciências</title><content type='html'>Não se trata de uma prótese de neurónios à maneira dos filmes de ficção científica, nem do mais recente avanço da engenharia genética ou de biotecnologia.&lt;br /&gt;Trata-se simplesmente de uma prática que foi e continua a ser corrente em regimes totalitários quer de formação fascista, quer marxista-leninista, ou pelo menos assim normalmente auto-classificados, ou nalguns Estados que, apesar de terem adoptado, formalmente, regimes democráticos, continuam a sofrer os efeitos de inércia do monolitismo político dos regimes precedentes.&lt;br /&gt;Em que consiste essa prática?&lt;br /&gt;Através de uma máquina de propaganda e endoutrinação utilizada nos seus momentos próprios, que vai desde comícios aos diferentes instrumentos de comunicação social, cartazes, panfletos, filmes, sob a direcção e fiscalização dos departamentos de Estado e instituições para isso vocacionadas, são veiculadas ideias, informações seleccionadas de acordo com critérios de conveniência, imagens condicionadas, juizos e conceitos que não serão sujeitos ao debate ou à controvérsia aberta, uma vez que o governo detem a exclusividade da sua discussão. Essa exlusividade é nesses casos assegurada por um poder centralizado, inquestionável, e apoiada num duvidoso pressuposto de democracia interna.&lt;br /&gt;Não havendo controvérsia aberta, não havendo discusssão a outros niveis que não no interior do círculo do poder, onde se instalam vícios próprios e por vezes muito subtis, incluindo o da auto-suficiência e infalibilidade de magister dixit; as normas e padrões de procedimento ditados a partir dos diferentes orgãos e instituições de um Estado assim montado, vão-se assim implantando nas consciências, passando a ser cumpridas mecanicamente, quer sejam aceites em consciência, quer não. Os meios que este tipo de Estado pretensamente põe ao dispôr dos cidadãos para discutir e apreciar as propostas do Governo – comissõs ou comités, reuniões entre dirigentes e membros da comunidade - são viciadas pelo medo e pela auto-censura . Medo de ficar marcado como opositor – revolucionário, contra-revolucionário, ou reacionário, conforme os casos -, auto-censura, porque o mesmo receio leva o cidadão convocado para a reunião, assembleia ou outro meio, a aferir as suas opiniões pelo critério instituido como sendo o critério correcto.&lt;br /&gt;Desta forma, as normas e conceitos, ainda que não aceites em consciência, passam a constituir para o cidadão uma consciência de acomodação, um implante de consciência.&lt;br /&gt;É assim que, mesmo nalguns Estados constituidos como democráticos, a liberdade de consciência é muitas vezes, por força de inércia, coarctada em decisões vitais para o destino de cada povo. Se não discutirmos abertamente os nossos problemas, sem constragimentos ditados pelo medo de as nossas opiniões serem tidas como não aceitáveis segundo critérios implantados nas nossas consciências, sem qualquer intervenção do nosso sentido crítico, deixar-nos-emos arrastar para os rumos de diferentes formas de opressão e de alienação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4466596223477716365-1798859809637647672?l=viriato-barros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viriato-barros.blogspot.com/feeds/1798859809637647672/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4466596223477716365&amp;postID=1798859809637647672' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/1798859809637647672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/1798859809637647672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viriato-barros.blogspot.com/2008/09/implante-de-conscincias.html' title='Implante de consciências'/><author><name>Viriato de Barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04281660613848907258</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBirLWDa2tI/AAAAAAAAAFE/yzm52GyFac8/S220/Viriato_em_Tarrafal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4466596223477716365.post-4385630494318996924</id><published>2008-05-08T14:52:00.002+01:00</published><updated>2010-06-10T09:33:59.211+01:00</updated><title type='text'>Cape Verdean Development</title><content type='html'>It is my firm conviction that there is no objective reason why we, as a country and as a nation, cannot cross the line that separates what is commonly referred to as underdeveloped countries from what is usually called developed countries, meaning countries with higher levels of economic, social, educational and technological advancement that allows us to enjoy the higher levels of well-being , health care and the amenities of organized leisure.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;While we waste time and mental energy trying to undermine or even destroy each other’s efforts and achievements in the quest for improvement, it would seem easier and more practical to follow one’s own creative impulses in coordination with the other initiatives, to avoid jamming and obstructions, within the principle of work division and space distribution, and under the conviction that there is room for everyone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;One of the reasons why, to my view, the Cape Verdeans have, as a people and as a state, despite all the difficulties and handicaps, been able to modestly achieve, and celebrate the thirty second anniversary as an independent country, going through the changes of political system which Cape Verde has gone through without violence of the kind that seem systematically to occur in many regions of the world, is owed to a history of five hundred years of struggle for survival in a country with lack of natural resources due mainly to cyclic droughts and vulnerability of arable land, considering that the very nature of the islands geology is cause of continuous erosion and continuous loss of arable soil which, if not curbed, will in time sweep away whatever is left of it.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4466596223477716365-4385630494318996924?l=viriato-barros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viriato-barros.blogspot.com/feeds/4385630494318996924/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4466596223477716365&amp;postID=4385630494318996924' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/4385630494318996924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/4385630494318996924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viriato-barros.blogspot.com/2008/05/cape-verdean-development.html' title='Cape Verdean Development'/><author><name>Viriato de Barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04281660613848907258</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' 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A verdade, porém, é que o que parece ser a sua personalidade, o que apresenta como tal, é apenas uma imitação daquilo que lhe parece intelectualmente fotogénico.&lt;br /&gt;É por isso que na política adopta sempre a postura que espera merecer aplausos daqueles que admira pela mesma razão que Nero admirava Petrónio e o tomava como árbitro das suas decisões e realizações, desde o que ele achava serem as suas aptidões musicais, aos espectaculares efeitos conseguidos pelo incêndio de Roma.&lt;br /&gt;Daí viver sempre em permanente contradição entre a sua atracção pelo charme da burguesia, classe a que na realidade pertence por ascenção geracional e entrismo pessoal, e a sua postura para uso externo de guardiã da “ideologia da classe operária”, que ostenta nas manifestações de protesto contra as decisões que os seus mentores consideram como fazendo parte da estratégia daquilo a que chamam democracia burguesa, não se assume como pertencendo a qualquer partido ou movimento político organizado, mas gosta de ser vista como de algum modo ligada ao Partido Comunista, desmentindo porém que o seja, sempre que alguém tente identificá-la com tal. Tem, no entanto, sempre o cuidado de se colocar em termos abstractos à esquerda, embora seja incapaz de delinear, mesmo em traços largos qualquer projecto concreto de sociedade que possa apoiar.&lt;br /&gt;Em suma, é absoluta e radicalmente contra tudo o que politicamente é tido como correcto ser contra, mas não consegue definir-se pró seja o que fôr de concreto. Enfim, é um modelo curioso de pequeno-burguês semi-intelectual em movimento de ascenção à média e, se possível, alta burguesia, membro desse segmento da pequena burguesia que se pretendeu chamar revolucionária e que falou em suicidar-se politicamente como classe para ressuscitar entre as massas, mas que por nada renuncia às vantagens que a classe em que se insere sempre lhe assegurou, simulando, ao invés, o salto que nunca dará, apenas tocando com um pé a borda do declive e o outro bem seguro na plataforma da burguesia, não vá perder o balanço e cair irremediavelmente, sem retorno, para o outro lado.&lt;br /&gt;Essa é a fronteira, esse é o limite real do risco com que todos os malabaristas políticos sabem que não podem brincar.&lt;br /&gt;Esse é também o limite até onde a fotogenia política os consegue levar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4466596223477716365-2012766468596332284?l=viriato-barros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viriato-barros.blogspot.com/feeds/2012766468596332284/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4466596223477716365&amp;postID=2012766468596332284' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/2012766468596332284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/2012766468596332284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viriato-barros.blogspot.com/2007/07/os-limites-da-fotogenia-poltica.html' title='Os limites da fotogenia política'/><author><name>Viriato de Barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04281660613848907258</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBirLWDa2tI/AAAAAAAAAFE/yzm52GyFac8/S220/Viriato_em_Tarrafal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4466596223477716365.post-8316296956823094382</id><published>2007-07-06T11:44:00.000+01:00</published><updated>2008-04-30T11:45:34.327+01:00</updated><title type='text'>About the article on Cape Verde (Sunday edition, June 24,2007)</title><content type='html'>Any society, as far as medium exposure is concerned, is exposable from a negative perspective, and we, Cape Verdeans are not exempt from that. Fortunately we have had and continue to have enough positive, some of them very positive, exposures, in the media to make up for that kind of liability.The Cape Verdeans in general have been traditionally raised in family environments and educated according to cultural and moral ( which includes, of course, the religious) patterns and values that make of us what we are . And I am talking about the mainstay of the Cape Verdean traditional society, based on the family upbringing and on what has been taught in our schools.But let us face the facts. A lot of things have changed and continue to change in the Cape Verdean society, both at home and in the Diaspora communities. Instead of reacting oversensitively, we should take stock and go on struggling, as we have always done to preserve and fight for our values and for our dignity as a people. At home or in the Diaspora we are a nation. That is why we call ourselves Cape Verdeans, or Cabo-vedianos, wherever we are, and that is why the other nations have learnt to call us Cape Verdeans. For good or for bad. In Cape Verde we survive planting corn, beans, sweet potato, squash and sugar cane. But weeds are part of what grows in our lands. We have to know how to manage our crops. We have learned to do many things to overcome our difficulties . Maybe we can learn how to turn weeds into useful crops.No single country owns the world ( the planet). It is our world. And it is more and more One World.The article in the New York Times about Cape Verde and the Cape Verdeans gives us a one-sided picture of Cape Verde, no matter how true the facts that have been exposed are. But it is just one side of our reality. Let us not be condescending about the negative aspects of our society. Let us not blind ourselves about what is happening in many respects both in Cape Verde and in the Cape Verdean immigrant communities and the interaction between the two sides of our reality. Instead, let us go on struggling for the so many reasons and goals that encourage us to fight.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4466596223477716365-8316296956823094382?l=viriato-barros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viriato-barros.blogspot.com/feeds/8316296956823094382/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4466596223477716365&amp;postID=8316296956823094382' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/8316296956823094382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/8316296956823094382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viriato-barros.blogspot.com/2007/07/about-article-on-cape-verde-sunday.html' title='About the article on Cape Verde (Sunday edition, June 24,2007)'/><author><name>Viriato de Barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04281660613848907258</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBirLWDa2tI/AAAAAAAAAFE/yzm52GyFac8/S220/Viriato_em_Tarrafal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4466596223477716365.post-1462318213173955500</id><published>2006-12-06T11:43:00.001Z</published><updated>2011-04-26T23:45:56.069+01:00</updated><title type='text'>Palestra alusiva ao 19º aniversário AAEESCV-25-11-06 (Parte 2)</title><content type='html'>Continuação...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa particularidade a que eu chamo espírito de uma cidade, a ambiência cultural e social que se vivia em S.Vicente, comportava mais uma componente que vinha de outras proveniências que não apenas do Liceu Gil Eanes, o fulcro à volta do qual tudo girava, que eram representadas pela variedade de clubes desportivos e outras agremiações, que imprimiam um dinamismo à comunidade mindelense, surpreendente numa cidade relativamente tão pequena com Mindelo. Académica, Amarante, Derby, Mindelense, Grémio, Radio Clube, Clube da Caça Submarina, Clube de Golfe, Cube de Ténis, e outros.A insularidade física de S.Vicente era amplamente ultrapassada por esse dinamismo alimentado pelo movimento do Porto Grande, que permitia aos habitantes de Mindelo um convívio permanente com gente de de diferentes culturas e origens. Um cidade aberta ao mundo, mas ciosa dos seus valores e das suas aquisições.O liceu de S.Vicente não podia senão reflectir esse espírito e acentuar o seu culto. A sua criação em 1917 foi fruto desse espírito e de muita tenacidade da parte de membros da comunidade mindelense empenhados instituitir o ensino secundário naquela ilha, o que significava em Cabo Verde, pois o Seminário Liceu de São Nicolau tinha sido extinto precisamente nesse ano. O liceu de S.Vicente foi instituido em S.Vicente com o nome de Liceu Infante D. Henrique e foi um dos seus principais propulsionadores, o ilustre cabo-verdiano Senador Vera-Cruz, que cedeu a sua própria residência situada na Praça Nova para a sua instalção. O Liceu Infante D.Henrique foi mais tarde transferido, com o nome de Liceu Gil Eanes, para o edíficio que todos conhecemos e que constitui um dos marcos indeléveis da da nosa história e da nossa cultura, a referência comum e mais cara de tantas gerações que por ali passaram, sem esquecer os continuos e demais funcionários cujos nomes ficarão sempre a ele ligados. Não queria citar nomes para evitar o risco de omissão injusta de algum. Mas não posso de forma nenhuma deixar de lembrar nomes que marcaram a geração a que pertenço, nomes como Adriano Duarte Silva, António Aurélio Gonçalves, Antero Barros, Aristides Gonçalves, Artemisa, Baltazar Lopes da Silva, Daniel Leite, Dr. Pereira, D.Antónia, Luis Terry, Maria de Jesus Gomes, Olavo Moniz, Rendall Leite, Senhor Reis, Senhor Simões, Tertuliano Cabral, Toi Guga ( lembram-se? Creio que se chamamava António Augusto e daí Toi Guga), e outros... Colegas mais antigos falavam em Sr. Pombal, Sr. Alberto Leite, Joaquim (Quim-Quim) Ribeiro, Manuel Serradas...O Liceu Gil Eanes era sem dúvida o centro de educação e cultura por excelência de todo Cabo Verde para onde convergiam jovens de todas as ilhas e no qual todos se integravam e com o qual se identificam, e onde as diferenças regionais se esbatiam ora no currículo oficial das das aulas ora nesse outro currículo que os próprios estudantes geram fora das salas de aulas, nos intervalos, nos campos de jogo, e fora do liceu, na comunidade mindelense, na Praça Nova, na Matiota, Laginha, Cova de Inglesa, Cais de Wilson, Salamansa, João d’Évora, Ribeira, Julião, Calhau e Baia da Gatas.Ao lembrar há pouco o Clube da Académica do Mindelo, um nome nos vem imediatamente à memória: oome de João Barbosa, figura indissociável da Académica e que com ela totalmente se identificava, Académia que era uma extensão desportiva de Gil Eanes. Queria aqui, precisamente nesta Associação da qual ele foi digno persursor e dedicado Presidente, render-lhe a homenagem devida à sua sua memória, bem como aos outros da equipa da sua honrosa Direcção, alguns dos quais infelizmente já não se encontram entre nós. A todos quantos têm contribuido com o seu trabalho, a sua dedicação, o seu empenho, a sua perseverança vai o nosso reconhecimento e a nossa gratidão. Sem esse empenho e essa perseverança não teria sido possível manter viva e dinâmica como tem sido até aqui. Criada como Associação dos Antigos Estudantes do Liceu Gil Eanes, acabou por se assumir, como não podia deixar de ser, como do Ensino Secundário de Cabo Verde, abranjendo assim os que foram alunos do Liceu da Praia, criado mais tarde por intervenção do então Ministro do Ultramar português Doutor Adriano Moreira, ao qual ficou a dever o seu nome origem, Liceu de Adriano Moreira. Tive também o grato prazer e honra de ter sido professor desse outro grande Liceu de Cabo Verde.A associação reune pois os ex-alunos de todo Cabo Verde e essa é sem dúvida a sua vocação e o seu mérito. A vocação e o mérito de não dividir, a vocação e o mérito de unir, como a sua própria constituição provê e previne.Para não vos cansar a cabeça, naquele sentido em que se diz em S.Vicente, “ câ bo cansá-m cabeça!” vou terminar em seguida. Mas antes queria deixar-vos aqui este apelo, que venho fazendo em circunstâncias idênticas, e não por acaso. E aqui vou repetir-me, porque não vale a pena re-inventar o que resulta de uma reflexão séria e de uma firme convicção: nós os cabo-verdianos juntos constituimos uma nação portadora de uma história e de uma cultura caldeadas durante cinco séculos de existência e labuta naquelas ilhas situadas a 350 milhas da costa ocidental de Africa, mas também fora das ilhas, no que já nos acostumamos a chamar a nossa Diápora. Mindelenses, patchê, badiu, bubista, djarsal, djarmai, djarfogu, ou djabraba, ou sintanton, somos peças variadas desse extraordinário mozaico humano, desse verdadeiro cadinho étnico a que chamamos o povo cabo-verdiano. Dentro e fora de Cabo Verde, em cada lugar onde nos encontramos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4466596223477716365-1462318213173955500?l=viriato-barros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viriato-barros.blogspot.com/feeds/1462318213173955500/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4466596223477716365&amp;postID=1462318213173955500' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/1462318213173955500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/1462318213173955500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viriato-barros.blogspot.com/2006/12/palestra-alusiva-ao-19-aniversrio_06.html' title='Palestra alusiva ao 19º aniversário AAEESCV-25-11-06 (Parte 2)'/><author><name>Viriato de Barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04281660613848907258</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBirLWDa2tI/AAAAAAAAAFE/yzm52GyFac8/S220/Viriato_em_Tarrafal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4466596223477716365.post-7872965235991919994</id><published>2006-12-04T11:42:00.000Z</published><updated>2008-04-30T11:43:36.473+01:00</updated><title type='text'>Palestra alusiva ao 19º aniversário AAEESCV-25-11-06 (Parte 1)</title><content type='html'>19º Aniversário da Associação dos Antigos Alunos do Ensino Secundário de Cabo VerdePalestra proferida por Viriato de Barros em 25-11-2006Quero antes de mais agradecer à Associação dos Antigos Alunos do Ensino Secundário de Cabo Verde o convite com que me distinguiram e que me honra de forma muito particular como antigo aluno do Liceu Gil Eanes, de que tive também o privilégio de ser professor, para neste dia em que se celebra o décimo nono aniversário da fundação da Associação, dizer algumas palavras.Acho que não me afasto, antes pelo contrário, me reaproximo do motivo que nos traz aqui hoje, que é comemorarmos juntos esta data, se recorrer a um artigo que em temos escrevi sobre S.Vicente com o título de “S.Vicente, - ‘quel país!”:Quem chega a São Vicente, vindo de uma outra ilha como a Brava, por exemplo, de rochas húmidas e terras verdejantes, muros forrados de musgo, estradas ladeadas de cardeais ou de cercos de cafezeiros, ou Santo Antão, com os seus vales férteis, exuberantes por onde correm ribeiras de água cristalina, tem, de entrada, a sensação de um banho de aridez e secura que o envolve para onde que se vire.As espinheiras cobertas de poeira vergam sob a pressão do vento agreste que fustiga a ilha sem cessar. A poeira deposita a sua marca em tudo por onde passa e passa por tudo. Tudo seco. Tudo árido.Mas quando ergue os olhos e alcança a vista que se descortina mais à distância, vê areais dourados em estonteante contraste com o azul do mar e descobre, aí, uma outra beleza feita de tons do mar, do céu e dos matizes de crepúsculos e auroras sem igual.É uma outra ilha, outra gente. É uma ilha-cidade. Não há campo, nem camponeses. Há rochas, pedras e terra, areia e ribeiras secas que não nos deixam esquecer que, por serem ribeiras, um dia por elas passou água e por ela esperam o ano inteiro, todos os anos. Em S. Vicente também chove, pelo menos uma vez por ano. E às vezes chove tanto que algumas ribeiras conhecem dias de verdura, ainda que por tempo escasso.É por isso que se diz que S. Vicente não tem interior, como tem, por exemplo, a ilha de S. Tiago. Claro que, rigorosamente, talvez a Ribeira Julião, o Lameirão, o Pé de Verde e o Monte Verde pudessem ser considerados "interior", mas a verdade é que ninguém pensa nesses lugares como tal. S.Vicente vivia de outras coisas....Tinha um Liceu e outros centros de formação profissional como a Escola Técnica e a oficina da Pontinha, tinha as companhias inglesas que davam uma nota britânica aos costumes locais, como o hábito de jogar o "cricket", o golfo e o ténis, aprendido com os ingleses, havia expressões que faziam parte do vocabulário comum como "crizmis" ( de Christmas), nhocasse (de New Castle) para designar o carvão eventualmente proveniente daquela cidade britânica, as pessoas andavam de calções e usavam sapatos de ténis, bebiam o chá das cinco e tomavam "gin tonic". Havia mesmo quem falasse português (ou creoulo) com sotaque inglês adquirido por contiguidade nas companhias inglesas. Coisas, evidentemente do passado. Havia mesmo um certo estilo de andar, ligeiramente inclinado à direita, com um bengalim debaixo do braço esquerdo que, segundo parece, tinha proveniência britânica. Mesmo sem o bengalim, ficava-lhe o jeito. A postura imprimia um estilo.Havia outra circunstância que contribuía para esse modo mindelense de estar na vida : facto de o Porto Grande de S. Vicente ser um importante porto internacional, visitado por navios de todas as nacionalidades e provenientes dos mais longínquos e variados lugares, permitia aos mindelenses um contacto constante com diferentes culturas, com diferentes hábitos e costumes.Se me alongo um pouco sobre S.Vicente nesta minha conversa é porque foi ali onde um dia e em boa ora se institui o Liceu Gil Eanes. Não podemos, naturalmente, dissociar esta Associação do Liceu que deu origem à sua criação, nem da ilha em que se implantou , do seu estilo de vida das influências reciproprocas. Desse espírito mindelense no que ele teve sempre de melhor, feito afinal com gente de todas as ilhas. Bazofo por excelência, tantas vezes irritante, por vezes insuportável, para nós os outros que chegávamos de outras ilhas na sua simplicidade rural, mas por outro lado independente, irreverente perante pretensões de abusos e prepotências, vindas de onde viessem, de uma capacidade incrIvel de inventar alegrias nas situações mais difíceis, penosas, em que apesar delas aflora invencível esse humor mindelense que ele próprio diz que tem origem na influência a que chama “britiche”. Não lhe cham britânica, não. Chama-lhe “britíche” , assim mesmo, com acento no “i”. Desse inglês que aprendemos, muitos de nós, como nho Roque, que nos ensinavaa pronunciar correctamente a palavra “Christmas”ouvindo com atenção a forma como as empregadas das casas inglesas diziam: “Crizmiz”. “Ora digam lá, dizia Nho Roque: “criz-miz”! Agora façam recuar o acento para o pricípio da palavra: Crízmiz. Ora aí está!Todos nós, patche, busbista, badiu, djabraba, bubista, badiu, djarfogo, djarsal, djarmai, chegávamos a S.Vicente, naquela simplicidade saloia –passo o termo - e começávamos a aprender essa esperteza urbana dos “m’nin d’soncent” , esses, convencidos sempre, na sua congénita bazofaria, de que eram os melhores do mundo. Do mundo, repito, na sua forma de o dimensionar.Como acontece noutros lugares a comunidade em que a escola se insere tem um papel preponderante na forma como se processa a formação que nela se recebe num processo recíproco de influências. Paralelamente à educação que se recebia no Liceu Gil Eanes, liceu a todos os títulos, à nossa dimensão, correspondente a uma Universidade, recebia-se uma outra formação, noutras “instituições” que se chamavam respectivamente, Eden Park e Parque Miramar, por ordem de antiguidade e respeito por ela. E não era apenas feita de filmes essa formação. O palco do Eden Park foi cenário de muitas e excelentes sessões de teatro e outras formas de expressão cultural.(continua no post seguinte...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4466596223477716365-7872965235991919994?l=viriato-barros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viriato-barros.blogspot.com/feeds/7872965235991919994/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4466596223477716365&amp;postID=7872965235991919994' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/7872965235991919994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/7872965235991919994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viriato-barros.blogspot.com/2006/12/palestra-alusiva-ao-19-aniversrio.html' title='Palestra alusiva ao 19º aniversário AAEESCV-25-11-06 (Parte 1)'/><author><name>Viriato de Barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04281660613848907258</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBirLWDa2tI/AAAAAAAAAFE/yzm52GyFac8/S220/Viriato_em_Tarrafal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4466596223477716365.post-5687332809273218016</id><published>2006-10-18T11:38:00.000+01:00</published><updated>2008-04-30T11:42:33.651+01:00</updated><title type='text'>Impacto do racismo sobre a identidade Caboverdiana nos EUA</title><content type='html'>Discussão no forum do site For CV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://forcv.forumup.org/about537-forcv.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Impacto do racismo sobre a identidade Caboverdiana nos EUA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4466596223477716365-5687332809273218016?l=viriato-barros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viriato-barros.blogspot.com/feeds/5687332809273218016/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4466596223477716365&amp;postID=5687332809273218016' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/5687332809273218016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/5687332809273218016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viriato-barros.blogspot.com/2006/10/impacto-do-racismo-sobre-identidade.html' title='Impacto do racismo sobre a identidade Caboverdiana nos EUA'/><author><name>Viriato de Barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04281660613848907258</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBirLWDa2tI/AAAAAAAAAFE/yzm52GyFac8/S220/Viriato_em_Tarrafal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4466596223477716365.post-8463646121510160892</id><published>2006-06-26T11:38:00.000+01:00</published><updated>2008-04-30T11:38:39.084+01:00</updated><title type='text'>Bilinguismo e integração</title><content type='html'>Tem constituído objecto de importantes trabalhos de estudo e investigação, mas também de controvérsia, a problemática da adopção do crioulo, ou uma das variantes do crioulo cabo-verdiano, como língua oficial de Cabo Verde a sua consequente utilização nas escolas e em todas as instituições e repartições burocrático-administrativas cabo-verdianas. Ainda que todos pareçam estar de acordo quanto à necessidade de preservar, estudar, desenvolver e valorizar a língua cabo-verdiana, nem todos tem a mesma opinião quanto à necessidade ou mesmo viabilidade da sua instituição como língua oficial de Cabo Verde. Se há quem entenda que a insistência na utilização da língua portuguesa no pais, independente desde 1975, equivale a uma recusa por parte dos que assim procedem em se libertarem definitivamente de uma mentalidade de colonizado, há por outro lado quem considere a língua portuguesa uma herança positiva da colonização, não só por razões de ordem prática como instrumento de comunicação a nivel nacional, mas também pela amplitude do espaço cultural de que a língua portuguesa é parte integrante, opondo assim argumentos de carácter histórico e pragmático às fundamentações nacionalistas da substituição radical e definitiva do português pelo crioulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que continuaremos a discutir esta questão entre nós, até chegarmos finalmente a uma conclusão objectiva e isenta dos preconceitos, da carga subjectiva e de uma certa emotividade ainda à flor da pela que muitas vezes nos desvia dos nossos propósitos iniciais. Não me parece que a valorização e o desenvolvimento do crioulo e a sua introdução no currículo normal das escolas cabo-verdianas, com a padronização de uma das variantes, instrumentada em termos de alfabeto, gramática e dicionário e eventualmente a sua oficialização, tenha necessariamente que implicar a exclusão da língua portuguesa, cujo lugar e cujas funções dentro do quadro de comunicação linguística em Cabo Verde me parecem definir-se de forma cada vez mais clara. Concordo com a tese de Dulce Almada Duarte * quando afirma que o futuro linguístico de Cabo Verde e bilingue, em crioulo e português, em que a utilização das duas línguas processa em regime de reconhecimento mútuo e de acordo com as circunstâncias, não parecendo provável a substituição de uma pela outra, pelo menos a curto ou mesmo médio prazo, já que não temos a capacidade de prever o futuro em termos absolutos, mas tão somente de observar e especular a partir de dados e tendências que nos permitem alvitrar hipóteses e imaginar os possíveis cenários que se oferecerão as nossa opções linguísticas futuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há sempre uma margem de espontaneidade na evolução das línguas e do seu papel numa comunidade ou numa sociedade, cujos efeitos a longo termo são imprevisíveis, para além de e sejam quais forem as decisões politicas tomadas nesse âmbito. Muito se tem feito em Cabo Verde depois da independência para prestigiar, dignificar e desenvolver a língua cabo-verdiana, e nesse sentido é notável o trabalho perseverante e abnegado de estudiosos e especialistas nesta área de investigação, como Artur Vieira, kauberdiano Dambará, Dulce Duarte, Luís Romano, Manuel Veiga, Kaká Brabosa, Francisco Fragoso, Manuel Gonçalves, e Tomé Varela, Dany Spínola, Luis Hoppfer Almada, Inês Brito,não só no plano de investigação teórica, como na instrumentalização da língua cabo-verdiana no sentido da sua padronização, como na sua utilização como língua literária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim e ao cabo escritores como Artur Vieira, Luís Romano,Gabriel Mariano, Corsino Fortes, Manuel Veiga e Tomé Varela, Zizin Figueira, para não falar nos poetas-compositores como B.Léza, Manuel Novas, Jota Monte, e tantos outros que passam como anónimos ou que ninguem se lembra de os citar, ao utilizarem a língua cabo-verdiana – o primeiro na variante da Ilha Brava, o segundo na de Santo Antão e os os dois últimos na santiaguense – prosseguem na linha de Eugénio Tavares e Pedro Cardoso, os dois grandes percursores da valorização do crioulo e a quem Cabo Verde deve das mais belas paginas da sua literatura. Não cabe no âmbito deste artigo falar de forma mais exaustiva sobre a valiosa contribuição trazida neste domínio por investigadores como Baltazar Lopes da Silva, como o estudo “O Dialecto Crioulo de Cabo Verde”, uma referência fundamental e um marco decisivo na historia da língua cabo-verdiana , ou a contribuição de Kauberdiano Dambara, Luís Fragoso, Kaká Barbosa e outros no mesmo sentido, mas tão somente sublinhar a sua importância numa longa luta de afirmação da identidade cultural e dignificação da cultura e do homem cabo-verdiano ao longo da sua história. Essa preocupação não me parece excessiva, sobretudo quando se têm presentes as duvidas que muitos imigrantes cabo-verdianos jovens, de segunda geração, revelam quanto ``a identificação com as suas origens e algumas manifestações de depreciação ou mesmo rejeição muitas vezes verificadas entre eles, quando confrontam a cultura dos seus progenitores com a da sociedade em que se inserem ou se integram ou tentam inserir-se ou integrar-se. Um fenómeno complexo, de efeitos imprevisíveis por vezes e que tem certamente muito a ver com os problemas de inserção e de integração social com que diariamente lida a sociedade do pais de acolhimento. E’ nessa dualidade cultural que vivem os imigrantes de segunda geração e os conflitos que gera nem sempre são resolvidos ou abordados da melhor forma pelos seus sujeitos e pelos que tentam, muitas vezes por dever de oficio , solucioná-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando a questão linguística, que não podemos naturalmente dissociar da questão social, as escolas portuguesas situadas em bairros de forte incidência populacional cabo-verdiana, defrontam-se forçosamente com a situação de bilinguismo entre os seus alunos de origem cabo-verdiana que coloca os professores que nelas ensinam perante a necessidade de desenvolver estratégias e eventualmente adoptar uma metodologia diferente no ensino da língua portuguesa a estes alunos, que no seu ambiente familiar e no meio onde habitualmente vivem falam o crioulo e não o português. Naturalmente o grau de domínio da língua portuguesa, a sua língua de comunicação oral e escrita com os professores afectará o progresso escolar desses alunos nas outras disciplinas , pois é a língua que veicula todo processo de ensino-aprendizagem das diferentes matérias que constituem o seu currículo escolar. Há situações em que as dificuldades sentidas pelos alunos são transitórias, pois a imersão na língua portuguesa pelo convívio leva-os rapidamente a dominar esta língua, mesmo que continue a falar o crioulo em casa ou com os seus pares da mesma origem. Estas são as situações que coincidem com uma inserção social bem sucedida dos filhos de imigrantes cabo-verdianos. Há porem casos em que essa inserção não se faz e os imigrantes são arrastados pelas circunstâncias para um processo de guetização e isolamento e ao desenvolvimento de uma cultura de gueto que, preservando embora hábitos e costumes do pais de origem nos imigrantes de primeira geração, vai desenvolvendo paralelamente uma nova forma de estar que se afasta do estilo de vida dos pais e avós, mas tão pouco se integra na sociedade envolvente. E’ nessa zona que se geram grupos e comportamentos em conflito tanto com a restante sociedade, como com o seu próprio meio que frequentemente resvalam para a marginalidade legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As escolas só por si não conseguirão superar esses problemas se a questão da inserção social dos alunos filhos de imigrantes não se resolver fora da escola., portanto na comunidade, na família, na sociedade. Todos sabemos que as escolas reflectem como espelhos os conflitos das comunidades e da sociedade em que se inserem. Mas o que se passa nelas é fundamental para que se realize uma integração harmoniosa e eficaz dos imigrantes, e a cooperação entre a comunidade, as famílias e os professores é, naturalmente, indispensável para isso. E é importante que se tenha em conta a opinião dos pais, e de forma muito particular das mães tratando-se de pessoas oriundas de Cabo Verde, pelo peso da sua acção junto da família, evitando o erro em que muitas vezes se cai ao subestimar os pontos de vista e a experiência de pessoas que por terem fraca ou nenhuma escolaridade são classificadas como “ignorantes”. Ignorantes, é certo, de coisas que se aprendem nas escolas, mas experientes em muito mais, sobretudo naquilo que é a luta pela vida. Isto, sem demagogia nem paternalismo. Simples factos da vida. Quero com isso dizer que quando, por exemplo, uma dessas mães diz, numa reunião da Escola com os Pais e Encarregados de Educação de filhos de imigrantes, como já uma vez aconteceu, que “manda o seu filho para a escola para aprender a falar e a escrever português e não crioulo, porque crioulo já sabe, aprende-o em casa” , vale a pena ponderar muito a sério o que leva aquela senhora a insistir de forma tão enérgica nesta questão. Isto, sem desvirtuar a importância do crioulo e o interesse e a necessidade do seu estudo ou do seu ensino nas escolas. Neste caso, quanto a mim, importaria saber em que condições e a que níveis se poderá ou deverá ensinar o crioulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Dulce Almada Duarte, - “Bilinguismo ou Diglossia?”. Praia, 1998&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4466596223477716365-8463646121510160892?l=viriato-barros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viriato-barros.blogspot.com/feeds/8463646121510160892/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4466596223477716365&amp;postID=8463646121510160892' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/8463646121510160892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/8463646121510160892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viriato-barros.blogspot.com/2006/06/bilinguismo-e-integrao.html' title='Bilinguismo e integração'/><author><name>Viriato de Barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04281660613848907258</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBirLWDa2tI/AAAAAAAAAFE/yzm52GyFac8/S220/Viriato_em_Tarrafal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4466596223477716365.post-4790060971202621910</id><published>2006-04-07T11:37:00.000+01:00</published><updated>2008-04-30T11:38:12.494+01:00</updated><title type='text'>Vantagens das Desvantagens</title><content type='html'>Não faço o elogio da pobreza para eleger qualidades ou virtudes que nela se geram. É preciso perguntar a quem vive nas mais precárias condições de vida qual a sua opinião, antes de termos quaisquer veleidades na matéria. Como aquela mulher que vive lá para os lados da Chacra, ilha de Santiago, tem uma filha pequena para criar, sozinha, e se levanta cedo para sair à procura de algo que lhe dê para ganhar a refeição do dia quando regressa a casa ao fim da tarde. Juntando lenha para vender, por exemplo, ou carregando pedras para qualquer obra. Não tem nada de garantido, nada de seguro. Subsídio de desemprego, pensão de reforma um dia? Não brinquem. Isto sem lamechices: simples factos da vida, factos do dia a dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posto isto, vou ao que queria dizer.&lt;br /&gt;Alguém oriundo de uma outra ex-colónia portuguesa disse-me uma vez:&lt;br /&gt;“A vossa sorte em Cabo Verde é terem uma terra pobre”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua conclusão baseava-se no raciocínio de que em Cabo Verde, pela sua escassez crónica de recursos naturais, nunca foi possível implantar um sistema de exploração que desse lugar ao tipo de sociedade que se criou nas outras colónias. Como as roças de S.Tomé, por exemplo. Ou as grandes plantações de Angola e Moçambique. Ou minas de diamante, ou petróleo. Essas fontes de riqueza foram pólos de atracção para uma corrente migratória de colonos a quem foram dadas condições muito especiais como forma de os atrair e fixar, enquanto, para assegurar esse estatuto, mantiveram as populações autóctones à margem da sociedade que foram criando e desenvolvendo. Não só as mantiveram à margem como lhes retiraram a sua dignidade como seres humanos pela opressão social e pelo desprezo, impondo-lhes um tratamento racista e humilhante. Qualquer colono ganhava automaticamente um estatuto de classe favorecida, enquanto às populações nativas foi imposto o regime de indigenato e o respectivo estatuto a que equivalia a restrição total dos direitos mais elementares. Os cabo-verdianos, tendo embora outros problemas, disso se livraram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso de São Tomé, este território seguiu até um determinado momento da sua história um percurso semelhante ao de Cabo Verde e a parte africana da sua população conheceu uma relativa tranquilidade e liberdade de acção, e mesmo um certo desafogo, e o relacionamento com os poucos colonos dava-se numa base de mútua aceitação e reconhecimento. A alteração do sistema de produção com a implantação de roças veio alterar profundamente a vida da população de São Tomé. Apenas um exíguo número de famílias são-tomenses era detentor de terras. Instituiu-se em São Tome um regime de monocultura em que se explorava a fundamentalmente a produção de cacau e, em menor escala, café. A exploração destes dois grandes recursos agrários estava nas mãos de empresas sedeadas em Portugal ou de alguns empresários individuais. Os naturais de São Tomé recusaram-se a trabalhar nas roças, pelo que as mesmas passaram a recrutar trabalhadores de outras colónias, como Angola e Moçambique, mas principalmente de Cabo Verde. O sistema de exploração e o recrutamento de mão-de-obra teve naturalmente o apoio da administração colonial. Permitia por um lado, resolver o problema de mão-de-obra para a exploração das roças e, por outro lado, era uma forma de solucionar outros problemas como o das crises cíclicas provocadas pelas secas em Cabo Verde. As condições de trabalho eram degradantes, a forma como os trabalhadores eram transportados para São Tomé eram aviltantes, mas a lógica da Administração, lógica a que os próprios trabalhadores não tinham outra alternativa senão submeter-se numa terrível forma de chantagem, era a de que, ao menos assim, teriam a sua sobrevivência assegurada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A implantação de roças imprimiu um rumo à sociedade de São Tomé diferente daquele que em Cabo Verde, por força das circunstâncias se seguiu, o que fez com as duas colónias tenham tido, a partir dai, percursos diferentes. Mesmo assim, em São Tomé, o tipo de convívio entre os colonos e a população africana sempre se diferenciou do modelo de colonização adoptado nos territórios de Angola e Moçambique. Uma simples amostragem a partir do número de africanos que frequentavam as escolas secundárias naquelas três antigas colónias portuguesas será suficiente para definir a situação naqueles territórios na época colonial, diminuindo essa frequência de São Tomé para Angola e de forma dramática de Angola para Moçambique, onde essa frequência era quase nula, sobretudo nas grandes capitais, Lourenço Marques, hoje Maputo, e Beira. Não é por acaso que precisamente Moçambique foi, das antigas colónias portuguesas, o país que teve que lutar com maior dificuldade em quadros depois da independência. É verdade que nos anos que precederam a independência daquela antiga colónia portuguesa houve uma certa alteração nesse estado de coisas, motivada pela pressão da comunidade internacional sobre o governo português, mas tais medidas além de insuficientes chegaram já demasiado tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Cabo Verde tudo se passou de forma diferente. Depois da abolição da escravatura e apesar da persistência em conservar de uma forma ou de outra as suas prerrogativas de classe dominante, a progressiva degradação do poder económico dos ex-senhores foi gradualmente retirando-lhes a capacidade de exercer um domínio real sobre a vida dos ex-escravos, apesar da persistência de uma postura de classe feita de gestos e atitudes. A falta de recursos em geral e o efeito devastador das secas sucessivas acabariam por aproximar uns e outros numa luta pela sobrevivência colectiva, desencorajando por outro lado a colonização massiva. Não se ia para Cabo Verde: saia-se de Cabo Verde, para procurar vida noutros lugares. Saia quem pudesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A exiguidade de recursos conduziu ao longo dos anos a uma vivência em comum, a uma busca constante de formas não só de conservação dos poucos recursos como de estratégias de superação das crises que cíclica e inevitavelmente assolavam as ilhas, condicionando as expectativas dos seus habitantes e, enquanto Cabo Verde foi colónia portuguesa, cabia ao Estado Português a responsabilidade de garantir a sobrevivência da população de um território que era considerado para todos os efeitos território português. Esse suporte não impediu que morressem milhares de pessoas à fome nos períodos mais críticos da sua historia como colónia, além da fome crónica e toda a espécie de carências que afectavam largos sectores da população: esse rosto familiar da miséria que o arquipélago se habituou a olhar como uma espécie de fatalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assumir a independência de um pais nessas condições podia ser visto como um acto de irresponsabilidade da parte de quem, aparentemente, nada tinha para dar em troca à população a não ser a possibilidade de autodeterminação. Nada mais senão a sua independência, para que pudesse livremente decidir sobre o seu destino. Mas que destino, sem recursos que pudessem assegurar uma autonomia mínima - de subsistência como ponto de partida - a não ser que contasse indefinidamente com a solidariedade internacional? Esta alternativa equivalia, para muitos, a substituir uma forma de dependência por outra, neste caso, da dependência de Portugal pela dependência da generosidade de outros países e organizações humanitárias internacionais. Essa era a responsabilidade dos novos dirigentes de Cabo Verde como Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar dos erros cometidos durante os primeiros anos de gestão dessa independência, penso que a sua assunção, longe de ter sido um acto de irresponsabilidade foi um acto de convicção e de confiança na capacidade do próprio povo cabo-verdiano para criar e desenvolver condições de viabilização da sua autonomia. Essa convicção e essa confiança, apesar de todas as dificuldades e dos erros ( muitos deles possivelmente evitáveis ) tiveram um impacte positivo na reacção das populações dentro e fora do país e na imagem que Cabo Verde conseguiu projectar junto da comunidade internacional. Não podemos subestimar a importância dessa projecção, cujos efeitos não deixam de ser mutuamente estimulantes. Para além de todas as críticas que se possam fazer ao regime sob o qual foram conduzidos os destinos de Cabo Verde durante as primeiras duas décadas da sua independência, é difícil não reconhecer o mérito dessa convicção, dessa confiança e dos seus efeitos. Por certo, mesmo aqueles cabo-verdianos que, sobretudo por razões de ordem politica e ideológica não aderiam à independência nas condições em que ela ocorreu, considerando-a como um acto de cumplicidade entre as forças politicas no poder em Portugal e um partido em Cabo Verde assumido, arbitrariamente segundo eles, como o único e legítimo representante do povo de Cabo Verde, não deixam, se forem efectivamente cabo-verdianos, de sentir-se afectados de forma positiva e de regozijar-se, todas as vezes que a imagem de Cabo Verde no exterior se projecta de forma positiva. Este facto, por si, não deixa de reflectir a consciência nacional do que consideramos ser o povo cabo-verdiano. É essa consciência nacional que, quanto a nós, explica e justifica a luta pela independência de um povo. As opções politicas que cada povo assume na gestão da sua vida como nação independente são outro problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, é a ele que cabe decidir, entre as diferentes opções que se lhe oferecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viriato de Barros&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4466596223477716365-4790060971202621910?l=viriato-barros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viriato-barros.blogspot.com/feeds/4790060971202621910/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4466596223477716365&amp;postID=4790060971202621910' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/4790060971202621910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/4790060971202621910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viriato-barros.blogspot.com/2006/04/vantagens-das-desvantagens.html' title='Vantagens das Desvantagens'/><author><name>Viriato de Barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04281660613848907258</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBirLWDa2tI/AAAAAAAAAFE/yzm52GyFac8/S220/Viriato_em_Tarrafal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4466596223477716365.post-1128650751135143558</id><published>2006-03-09T11:35:00.000Z</published><updated>2008-04-30T11:36:58.988+01:00</updated><title type='text'>Cape-Verdean minority in Portugal and the local authorities</title><content type='html'>Convegno Internazionale: L’intercultura nel pubblico impiego&lt;br /&gt;Pesaro, 3-4 July 2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cape-Verdean minority in Portugal and the local authorities: housing and schooling policies&lt;br /&gt;By Viriato de Barros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abstract&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cape-Verdean emigration to Portugal suffered a change of status as a result of the independence: in the colonial times the Cape-Verdeans were considered Portuguese citizens who came to live in Portugal, mainly to work in the civil construction and tending to settle around the new construction sites, like Reboleira, Amadora etc., building very simple huts and living in precarious conditions, this way saving as much as they could to send some money to their families, most of them from the island of Santiago. In later stages, many of these Cape-Verdeans sent for their families and settled in areas in connection with their work. That is how poor quarters like the ones in Pedreira dos Húngaros, Marianas, Circunvalação emerged.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;With the independence of Cape Verde in 1975, the Cape-Verdeans kept on emigrating, in many instances using illegal schemes. With the exception of those who remained Portuguese by right, the Cape-Verdeans now migrated to Portugal as foreign citizens, which required a different legal procedure for them to be able to live and work in Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;With the increase of the number of Cape-Verdean families who settled in different neighbourhoods of Lisbon and in the suburbs, namely in Amadora, Damaia, Buraca, Cova da Moura, etc. a corresponding new generation of Cape-Verdeans emerges, whose behaviour and attitudes take a different direction from the previous generation, often in conflict both with their parental values and with the non-Cape-Verdean communities in which they are inserted. Many of these so-called second generation Cape Verdean immigrants adopted aggressive attitudes and isolated themselves inside ghetto cultures. Illegal and marginal activities such as drug dealing and youth gangs find a fertile ground in such social and economic conjunctures.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(READ MORE IN: &lt;a href="http://www.multiculturas.com/INTI/ViriatoBarrosPesaro.pdf"&gt;http://www.multiculturas.com/INTI/ViriatoBarrosPesaro.pdf&lt;/a&gt; )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4466596223477716365-1128650751135143558?l=viriato-barros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viriato-barros.blogspot.com/feeds/1128650751135143558/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4466596223477716365&amp;postID=1128650751135143558' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/1128650751135143558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/1128650751135143558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viriato-barros.blogspot.com/2006/03/cape-verdean-minority-in-portugal-and.html' title='Cape-Verdean minority in Portugal and the local authorities'/><author><name>Viriato de Barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04281660613848907258</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBirLWDa2tI/AAAAAAAAAFE/yzm52GyFac8/S220/Viriato_em_Tarrafal.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4466596223477716365.post-4614148611955877849</id><published>2006-03-02T11:33:00.000Z</published><updated>2008-04-30T11:35:01.041+01:00</updated><title type='text'>Para Lá de Alcatraz</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBhLLmDa2WI/AAAAAAAAAAg/SZE-1p6xPYY/s1600-h/para_la_de_alcatras.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194984832737401186" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBhLLmDa2WI/AAAAAAAAAAg/SZE-1p6xPYY/s320/para_la_de_alcatras.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;RomanceExcerto:...No seu reencontro com Mindelo, David percorria as ruas da cidade a pé, ora só, ora acompanhado, atento a tudo o que o rodeava, numa redescoberta do que quinze anos antes deixara. O escritor Vitorino Nemésio, outro ilhéu, que uma vez passou por Mindelo vindo do Brasil, comparou as árvores da Rua de Lisboa, a nobre artéria da cidade, a pincéis de barba gastos pelo uso. A comparação tinha sido feita com simpatia, quase ternura. Não obstante, David lembrava-se de que a descrição não lhe tinha agradado muito na altura, por mais poética que outros leitores a tivessem achado. Mas quando desta vez olhou para aquelas árvores que enfeitavam a cidade de B.Léza, José Lopes, Roque Gonçalves, Frusoni, Djunga, Jota Monte e Manuel de Novas, não deixou de sorrir: autênticos pincéis de barba! Sim, mas quem usa esse método para se barbear, conhece o apego que se ganha àquele pincel usado, retorcido e gasto com que diariamente afagamos o rosto nesse ritual matutino.A pouco e pouco, de ternura em ternura, sorriso em sorriso, interior, topada em topada, exterior, David foi recuperando o Mindelo que quinze anos atrás, com muita relutância, adolescente, deixara. E as grandes referências ali estavam afinal: para além da imensa baía azul, do Monte Cara e das areias douradas de Salamansa, Matiota, Lajinha, Praça Nova, Eden Park, o Liceu, o Palácio, as lojas, farmácias, botequins, canecadinhas. Até algumas daquelas chamadas figura típicas da terra; só que quinze anos mais velhas, as que sobreviveram. Mas coisas novas animavam a cidade. Prédios, Hotel Novo, Novo Cinema do Tuta, animado, alegremente ruidoso, em concorrência amigável, fraterna, com o já clássico Eden Park. Certos cafés ou bares eram verdadeiras instituições, como o Bar Estrela e o Mochin Mercone, e outros novos se intituiram. Era só acertar o passo e retomar o pé. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4466596223477716365-4614148611955877849?l=viriato-barros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viriato-barros.blogspot.com/feeds/4614148611955877849/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4466596223477716365&amp;postID=4614148611955877849' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/4614148611955877849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/4614148611955877849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viriato-barros.blogspot.com/2006/03/para-l-de-alcatraz.html' title='Para Lá de Alcatraz'/><author><name>Viriato de Barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04281660613848907258</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBirLWDa2tI/AAAAAAAAAFE/yzm52GyFac8/S220/Viriato_em_Tarrafal.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBhLLmDa2WI/AAAAAAAAAAg/SZE-1p6xPYY/s72-c/para_la_de_alcatras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4466596223477716365.post-6121016358735128167</id><published>2006-02-26T11:31:00.000Z</published><updated>2008-04-30T11:35:34.455+01:00</updated><title type='text'>Extractos do livro «Identidade»</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBhKzWDa2VI/AAAAAAAAAAY/NtN0YafWIpU/s1600-h/identi.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194984416125573458" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBhKzWDa2VI/AAAAAAAAAAY/NtN0YafWIpU/s320/identi.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Extractos do livro «Identidade» de Viriato de Barros, Lisboa 2001.(...) Muitos intelectuais cabo-verdianos, na sua maior parte já nascidos nos Estados Unidos, tinham aderido a esse movimento de afirmação étnica. Mas a maior parte da comunidade imigrante cabo-verdiana observava, sem intervir, o que se passava sua volta. De um modo geral não aprovavam certas manifestações exteriores dessa forma de afirmação étnico-política e que se traduzia, entre outras coisas, numa certa maneira de vestir, na barba crescida que alguns jovens passaram a usar e no acentuar de certas características étnicas. Por vezes o conflito de gerações era agravado pela oposição ostensiva e sistemática a determinados valores avaramente preservados pela comunidade ao longo de várias gerações. Os afro-americanos investigavam com um novo orgulho as suas próprias raízes étnicas. Os cabo-verdianos mais jovens, confrontados com as perguntas dos seus colegas negros nas escolas que frequentavam, punham essas mesmas perguntas aos pais. O que é que nós somos afinal? Cape Verdean não é raça. Nesse enorme cadinho que constituía a sociedade americana, um "melting pot" onde na realidade os diferentes elementos não só não se misturavam, como viviam numa contiguidade que era tudo menos pacífica, a pergunta assumia formas dramáticas.— Man, what are you?— I'm Cape Verdean.— Yeah, but what's that, Black, Hispanic, what?— Well, I am black. I can't speak for all the others.— But you don't act black!A perplexidade do protagonista deste diálogo com um colega afro-americano perante as suas dúvidas foi manifesta ao Jaime por um jovem cabo-verdiano nascido nos Estados Unidos, a propósito destas questões. (...)&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4466596223477716365-6121016358735128167?l=viriato-barros.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://viriato-barros.blogspot.com/feeds/6121016358735128167/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4466596223477716365&amp;postID=6121016358735128167' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/6121016358735128167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4466596223477716365/posts/default/6121016358735128167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://viriato-barros.blogspot.com/2006/02/extractos-do-livro-identidade-de.html' title='Extractos do livro «Identidade»'/><author><name>Viriato de Barros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04281660613848907258</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBirLWDa2tI/AAAAAAAAAFE/yzm52GyFac8/S220/Viriato_em_Tarrafal.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_-X06K-gYEXg/SBhKzWDa2VI/AAAAAAAAAAY/NtN0YafWIpU/s72-c/identi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
